Mercado de música - Feira 1

quarta-feira, setembro 09, 2015

Paula Joane

Feira livre é variedade não só de mantimentos ou fruticultura, mas de produtos populares. Sandálias, panelas, roupas, CDs. Paralelamente ao barulho dos feirantes e clientes, o som de músicas complementa a atmosfera da CEASA de Vitória da Conquista. Algumas dessas sonoridades vêm de camelôs que vendem CDs e DVDs, com preços acessíveis. Pelo menos, quatro barraquinhas são encontradas na feira, com CDs à venda.

Localizadas, em sua maioria, na área perimetral da grande concentração da feira, as barraquinhas com as mídias vendem uma diversidade de estilos musicais. “Tenho todos os gostos. Desde o sertanejo ao arrocha”, expõe Edison Teixeira, 45 anos.  Ricardo Teixeira, 30 anos, autônomo, também expõe a gama de ritmos de seu "comércio", que além de vender CDs e DVDs, equilibra as vendas com brinquedos e eletrônicos. “Tem filmes de romance, ação, comédia, suspense. E CDs tem MPB, forró, axé, reggae, sertanejo, internacional. De tudo um pouco”, enumera.

Edison é natural de Salvador, mas trabalha há 10 anos como vendedor em Conquista. Anos de experiência é outra grande semelhança entre os vendedores de CDs. Ricardo, que é natural de Vitória da Conquista, relata que trabalha na feira há 20 anos. Na época ele fazia serviços em gerais; olhava carros e pegava carregos. Ele explana sobre as leis atuais que proíbem crianças de trabalharem e fala que em sua época não tinha isso. No ramo, ele começou desde a época das fitas.

Ainda que o estoque de gêneros atenda a diversos gostos, há aquele que se destaca. Se o a feira é popular, a trilha sonora também é. “Os mais procurados no momento, que o pessoal curte muito em Vitória da Conquista, é arrochadeira”, apresenta Ricardo. E não é à toa que nos sons das barracas, o que tocava era o “brega romântico”. Em contra partida, Edison, apontando para uma réplica de Roxette e Legião Urbana, defende que se procurar um CD de rock nos seus produtos, os clientes irão achar.

Os dois comerciantes apostam no som para atrair clientes. É um diferencial para o negócio, pois chama atenção de quem passa pela feira. “Sem o som é difícil de vender porque o pessoal passa, às vezes, despercebidos, e quando ouve a música volta para comprar”, explica Edison. Além desse atrativo sonoro, o outro comerciante, Ricardo, acha que a educação no atendimento é fundamental.

Quanto às vantagens de vender CDs em locais populares, como a feira, ambos argumentam sobre o poder aquisitivo da clientela. Tanto Ricardo, quanto Edison, acha que nem todo mundo possui condições de adquirir um CD original e na atividade deles o alcance das mídias é bem mais possível.

Em contrapartida, falar nesse mercado paralelo esbarra nas leis que combatem cópias ilegais. Muitos camelôs recusaram-se a falar – e não deixaram fotografar - por receio da fiscalização. O Ricardo conta que já teve sua mercadoria apreendida duas vezes e precisou começar do zero.

Outro fator que pesa para o comércio dos CDs e DVDs é a atual facilidade de conseguir "baixar" as mídias pela internet. Edison contabiliza que as vendas caíram cerca de 70%. Já Ricardo acha que isso não atrapalha. “Nem todo mundo tem esse acesso, nem todo mundo tem um computador em casa”, fala. E completa dizendo que ainda tem muitas pessoas que ainda são leigas nesse aspecto.

A Andréia Alvez, de 27 anos, é cliente da barraca de Ricardo e vasculhava os DVDs. Ela fala que gosta de comprar nas feiras porque é mais barato, e prefere adquirir a cópia a baixar pela internet.

Para validar o movimento do comércio de CDs e DVDs, Ricardo diz que tem clientes que são fiéis e sempre vão conferir as novidades. O comerciante, agitado, não parou um minuto durante a entrevista. Para atender todos, ele busca sempre organizar os títulos, mas às vezes acontecem imprevistos. “Toda vez que você vem aqui o filme some”, brinca ele enquanto atende seus clientes. “Mas aí você vai embora e o filme aparece”, tranquiliza. Esse pequeno detalhe, porém, não tira a freguesia. Muito pelo contrário, garante seu retorno.


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